Os créditos de exportação vêm se consolidando como uma alternativa estratégica para lastrear Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), especialmente para empresas que atuam no comércio internacional e necessitam de capital para manter o ritmo de suas operações. Rodrigo Balassiano, especialista em fundos estruturados e operações de comércio exterior, explica que esse modelo une a oportunidade de financiamento à segurança regulatória e contratual, atendendo simultaneamente às demandas de capital de giro das empresas exportadoras e ao interesse dos investidores por ativos diferenciados. Ao utilizar recebíveis de contratos de exportação como base, é possível criar fundos robustos, com fluxo de caixa previsível e potencial de rentabilidade atrativa.
A operação desses fundos se dá por meio da securitização de recebíveis internacionais, que podem originar-se de vendas de mercadorias ou prestação de serviços a compradores no exterior. Esse processo oferece liquidez imediata ao exportador, que muitas vezes precisa reinvestir rapidamente no ciclo produtivo para atender a novos pedidos. Para o investidor, o atrativo está na previsibilidade dos pagamentos e na diversificação da carteira, já que os ativos possuem exposição cambial e estão vinculados a mercados globais, ampliando as possibilidades de retorno.
Créditos de exportação: estrutura e elementos de segurança
A estruturação de um FIDC com base em créditos de exportação começa com a cessão dos direitos creditórios pela empresa exportadora ao fundo. Rodrigo Balassiano destaca que, em geral, esses créditos derivam de contratos firmes de compra e venda internacional, muitas vezes garantidos por instrumentos como cartas de crédito ou seguros de crédito à exportação. Esses mecanismos atuam como mitigadores de risco, protegendo contra inadimplência do importador e aumentando a confiança dos investidores na operação.

O administrador e o gestor do fundo realizam uma análise detalhada da qualidade dos recebíveis, considerando fatores como a capacidade financeira do devedor, as condições jurídicas e regulatórias do país de destino, o histórico de relacionamento comercial e a existência de garantias adicionais. Esse processo de diligência é fundamental para assegurar que o fluxo de pagamento seja consistente e que a carteira mantenha seu equilíbrio financeiro ao longo do tempo.
Outro elemento essencial é a gestão da exposição cambial. Como os créditos de exportação são geralmente denominados em moeda estrangeira, o uso de instrumentos de hedge é prática comum para reduzir a volatilidade decorrente das oscilações cambiais. Essa estratégia protege a rentabilidade do fundo e oferece mais estabilidade para os investidores, independentemente das variações no mercado de moedas.
Os FIDCs dessa categoria também podem se beneficiar de incentivos fiscais ou regimes tributários específicos aplicáveis a operações de exportação, o que contribui para melhorar a eficiência da estrutura e aumentar a atratividade da operação. Além disso, a possibilidade de diversificar os recebíveis por diferentes setores, produtos e regiões de destino amplia a resiliência da carteira, evitando concentração de risco em um único mercado ou segmento econômico.
Outro ponto que agrega valor à estrutura é o monitoramento contínuo do desempenho dos recebíveis. Ferramentas tecnológicas de gestão permitem acompanhar prazos, pagamentos e possíveis atrasos de forma eficiente, o que auxilia o gestor na tomada de decisões preventivas. Rodrigo Balassiano observa que a adoção de processos bem definidos e de tecnologia adequada garante mais transparência, fortalece a governança e reduz riscos operacionais.
Considerações finais
O FIDC lastreado em créditos de exportação é uma solução que combina liquidez para empresas exportadoras e oportunidades de investimento para quem busca ativos com retorno potencial e diversificação. Ao transformar contratos internacionais em instrumentos financeiros negociáveis, essa estrutura fortalece o comércio exterior, amplia as alternativas no mercado de capitais e contribui para a conexão entre economia doméstica e mercados globais. Rodrigo Balassiano conclui que, com governança robusta, gestão de riscos eficiente e estratégias adequadas de proteção cambial, esse modelo oferece um equilíbrio valioso entre segurança e rentabilidade, atendendo de forma consistente a diferentes perfis de investidores e colaborando para o crescimento sustentável do setor exportador brasileiro.
Autor: Galina Sokolova