Evento realizado no Expominas reúne experiências imersivas, inteligência artificial, automação e soluções digitais voltadas ao futuro da mineração.
A mineração está se tornando um grande campo de experimentação para algumas das tecnologias mais avançadas da indústria, e parte dessa transformação pode ser vista nesta semana em Belo Horizonte. A EXPOSIBRAM 2026, realizada entre 24 e 27 de agosto no Expominas, reúne empresas e especialistas para apresentar soluções relacionadas à inteligência artificial, realidade virtual, automação, conectividade e equipamentos autônomos. Promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o evento é considerado um dos principais encontros do setor mineral na América Latina. (exposibram2026.ibram.org.br)
A edição deste ano também mostra como a digitalização está deixando de ser apenas uma promessa para entrar em diferentes etapas das operações minerais. No estande da Vale, por exemplo, visitantes podem utilizar óculos de realidade virtual para acompanhar o caminho do minério de ferro e do cobre dentro das operações da companhia. A programação inclui ainda apresentações sobre IA, equipamentos autônomos, inovação aberta, segurança, mineração circular e futuro do trabalho. (vale.com)
Realidade virtual aproxima visitantes das operações de mineração
Uma das experiências tecnológicas apresentadas pela Vale utiliza realidade virtual para transportar simbolicamente os visitantes para diferentes etapas das operações minerais. Com os óculos, o público pode acompanhar o percurso do minério de ferro e do cobre, enquanto um painel digital apresenta características desses minerais e exemplos de suas aplicações na sociedade. A iniciativa transforma informações técnicas em uma experiência visual mais acessível. (vale.com)
O uso da realidade virtual também mostra como tecnologias imersivas podem ter aplicações que vão além dos jogos e do entretenimento. Na indústria, ambientes digitais podem ser utilizados para visualização de operações, treinamento e apresentação de processos difíceis de observar presencialmente. Em setores que trabalham com instalações de grande escala e ambientes operacionais complexos, essa possibilidade ganha importância adicional.
A EXPOSIBRAM também conta com uma iniciativa de realidade aumentada voltada ao público estudantil. O espaço Mineramundo apresenta uma caixa de areia com realidade aumentada, chamada Sandbox, capaz de projetar relevos, bacias e cursos d’água em tempo real conforme os participantes modificam a superfície. A expectativa divulgada pelo IBRAM é receber mais de 12 mil estudantes no espaço durante os quatro dias do evento. (ibram.org.br)
Essas experiências ajudam a colocar Minas Gerais no centro de uma discussão tecnológica cada vez mais relevante. Realidade virtual e aumentada podem facilitar a compreensão de processos industriais, permitir simulações e criar novas formas de capacitação. Em vez de simplesmente observar uma apresentação, o visitante passa a interagir com representações digitais de fenômenos e operações.
Inteligência artificial e automação entram na mineração
A inteligência artificial é outro tema presente na programação tecnológica da EXPOSIBRAM 2026. A Arena de Conexão da Vale prevê mais de 20 apresentações durante os quatro dias, incluindo casos envolvendo IA, equipamentos autônomos, eficiência operacional, inovação aberta e novas tecnologias. A programação oficial do evento também reserva discussões específicas sobre inteligência artificial aplicada ao planejamento, produção, segurança e monitoramento ambiental. (vale.com)
O interesse por IA ocorre enquanto empresas buscam transformar grandes volumes de informações operacionais em decisões mais rápidas. Uma mina moderna gera dados relacionados a equipamentos, produção, manutenção, segurança e condições ambientais. Sistemas inteligentes podem auxiliar na interpretação dessas informações e identificar padrões que seriam difíceis de acompanhar manualmente em operações de grande escala.
A automação também aparece de maneira concreta na feira. A Enaex Brasil apresenta o RoboPrimer, equipamento desenvolvido para realizar autonomamente a escorva de furos em mineração a céu aberto. Segundo informações divulgadas pelo IBRAM, a tecnologia combina navegação autônoma, sensores e câmeras inteligentes e foi projetada para reduzir a exposição de profissionais em áreas geomecanicamente instáveis. (ibram.org.br)
A mesma empresa apresenta ainda um ecossistema digital que integra informações de campo, inteligência analítica, gestão ambiental e acompanhamento de frota. A proposta é oferecer maior visibilidade sobre diferentes etapas das operações e apoiar decisões mais rápidas. O exemplo demonstra como automação, análise de dados e sistemas conectados começam a funcionar de maneira integrada dentro da chamada mineração digital. (ibram.org.br)
Tecnologia pode transformar segurança e produtividade no setor mineral
Um dos principais argumentos para a adoção de equipamentos autônomos está relacionado à possibilidade de afastar trabalhadores de atividades consideradas mais críticas. Máquinas equipadas com sensores, câmeras e sistemas de navegação podem executar determinadas tarefas em ambientes onde a presença humana apresenta riscos maiores. Isso não elimina a necessidade de profissionais, mas pode modificar suas funções e aumentar a importância de competências relacionadas a monitoramento, análise e controle remoto.
A transformação tecnológica também influencia a produtividade. Equipamentos conectados podem gerar informações continuamente, enquanto sistemas digitais permitem acompanhar desempenho e identificar problemas operacionais. Quando esses recursos são combinados à inteligência artificial, empresas passam a explorar modelos capazes de apoiar planejamento e manutenção com base em grandes quantidades de dados.
O tema ganha ainda mais relevância em Minas Gerais pela importância histórica e econômica da mineração para o estado. Belo Horizonte recebe nesta semana empresas brasileiras e internacionais justamente para discutir como inovação, sustentabilidade e tecnologia podem modificar um setor tradicional. A edição de 2026 possui mais de 17 mil metros quadrados de área expositiva e mais de 750 estandes, segundo o IBRAM. (ibram.org.br)
A programação também conecta tecnologia à crescente demanda internacional por minerais utilizados na transformação digital e energética. Durante a EXPOSIBRAM, foi destacado que tendências como inteligência artificial, eletrificação, digitalização e mobilidade elétrica devem aumentar a procura mundial por diferentes minerais nas próximas décadas. Isso cria uma relação interessante: ao mesmo tempo que a tecnologia transforma a mineração, a própria expansão tecnológica aumenta a demanda pelos materiais produzidos pelo setor. (ibram.org.br)
A EXPOSIBRAM 2026 segue no Expominas até quinta-feira, 27 de agosto, com atividades programadas entre 13h e 20h nos últimos dias. A presença de realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e máquinas autônomas mostra que a mineração mineira está inserida em uma transformação que vai muito além da adoção de novos equipamentos. O avanço ocorre na integração entre máquinas, dados e ambientes digitais, colocando a tecnologia como uma das ferramentas para discutir segurança, eficiência e o futuro de uma das atividades econômicas mais importantes de Minas Gerais. (exposibram2026.ibram.org.br)

