Segundo o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, o modelo operacional adotado por uma empresa em expansão define como as decisões são tomadas, como os recursos são distribuídos e como as equipes se conectam entre áreas e unidades. Essa escolha raramente é neutra, pois molda a velocidade de resposta da organização, influencia a cultura interna e sustenta o ritmo de crescimento ao longo do tempo.
Diante desse cenário, dois caminhos se destacam: a centralização, que concentra decisões em um núcleo de comando, e a descentralização, que distribui autonomia entre unidades e líderes locais. Cada formato responde a necessidades distintas de controle, agilidade e escala, e a escolha errada costuma custar caro em velocidade ou em consistência. Pensando nisso, a seguir, abordaremos os critérios que determinam essa decisão.
O que diferencia o modelo operacional centralizado do descentralizado?
No modelo centralizado, as decisões estratégicas passam por uma liderança única ou por um comitê reduzido, o que garante padronização e controle mais rigoroso sobre processos críticos. Já no modelo descentralizado, gestores locais ou líderes de unidade recebem autonomia para decidir conforme a realidade específica de cada mercado. Dessa maneira, a diferença central não está apenas na estrutura formal, mas na velocidade com que a informação se transforma em ação concreta dentro da empresa.
Rolando Bonaccorsi apresenta que essa distinção afeta diretamente a cultura interna e a forma como os times se relacionam com o erro. Empresas centralizadas tendem a valorizar consistência e previsibilidade, enquanto organizações descentralizadas priorizam adaptação e proximidade com o cliente final. Assim sendo, nenhum dos dois formatos é superior por natureza: o que determina o resultado é o alinhamento entre o modelo operacional escolhido e o estágio de maturidade em que a empresa se encontra.
Quando o modelo centralizado funciona melhor?
A centralização tende a funcionar melhor em empresas que ainda constroem processos internos sólidos ou que operam em setores regulados, nos quais o erro tem custo elevado e difícil de reverter. Como ressalta o executivo de operações e delivery em tecnologia, Rolando Bonaccorsi, esse formato reduz a dispersão de decisões e evita retrabalho justamente nas fases de padronização, quando a empresa ainda está testando quais processos merecem virar padrão. Tendo isso em vista, alguns cenários favorecem especificamente essa escolha:
- Empresas em fase inicial de estruturação, ainda sem processos maduros o suficiente;
- Setores com forte exigência regulatória, fiscal ou de compliance;
- Operações com poucas unidades ou baixa diversidade geográfica entre elas;
- Necessidade de padronizar marca, qualidade ou atendimento em um curto prazo.
Esses cenários compartilham uma característica comum: a necessidade de previsibilidade supera, por ora, a necessidade de velocidade local. À medida que a empresa amadurece e diversifica operações, esse equilíbrio tende a mudar, abrindo espaço gradual para formatos mais distribuídos de decisão.
A descentralização é a melhor escolha para uma empresa em expansão?
Conforme a empresa cresce e passa a operar em múltiplas regiões, segmentos ou públicos, a descentralização ganha relevância real. Rolando Bonaccorsi avalia que esse modelo aproxima quem decide de quem enfrenta o problema todos os dias na ponta da operação, o que acelera ajustes e reduz gargalos de aprovação entre níveis hierárquicos. Todavia, o risco está em perder a unidade de critério entre as diferentes áreas da empresa.
Logo, para funcionar bem, a descentralização exige diretrizes claras, indicadores compartilhados e canais de alinhamento entre líderes; sem isso, a autonomia se transforma rapidamente em fragmentação operacional. Ou seja, o modelo operacional descentralizado costuma funcionar melhor quando a empresa já validou processos essenciais e busca ganhar velocidade sem abrir mão de coerência estratégica entre as unidades que a compõem.
O equilíbrio certo depende do momento da empresa, não de uma fórmula fixa
A escolha entre centralizar e descentralizar não deve ser tratada como definitiva nem copiada de outra empresa sem adaptação. Desse modo, muitas organizações migram para um formato híbrido conforme amadurecem, mantendo funções críticas centralizadas e distribuindo autonomia operacional onde a proximidade com o cliente faz diferença real. O ponto de partida está em entender em que fase de crescimento a empresa se encontra e o que essa fase exige dela.
Aliás, mais do que copiar um modelo de mercado, vale mapear onde a lentidão das decisões custa oportunidades reais e onde a padronização ainda protege a operação de riscos desnecessários. Conforme frisa o diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, essa leitura interna, revisada periodicamente pela liderança, tende a indicar com mais precisão qual caminho sustenta o próximo estágio de crescimento da empresa.

