Em um contexto marcado por cobranças crescentes sobre o impacto ambiental das atividades industriais, Diohn do Prado, diretor administrativo com atuação consolidada no setor de rochas ornamentais, acompanha de perto as transformações que estão redefinindo as práticas de extração e beneficiamento do mármore no Brasil. O que antes era conduzido sem critérios ambientais claros passou a exigir planejamento, responsabilidade e investimento em soluções que minimizem os efeitos sobre o ecossistema ao redor das jazidas. Esse movimento representa uma virada cultural importante para um setor historicamente associado ao uso intensivo de recursos naturais.
A pressão por práticas mais responsáveis não vem apenas dos órgãos reguladores, mas também do mercado consumidor, que passou a valorizar a origem dos materiais utilizados em seus projetos. Arquitetos, construtores e incorporadoras têm buscado fornecedores capazes de comprovar que o mármore adquirido foi extraído com respeito ao meio ambiente e às comunidades do entorno. Essa exigência transforma a sustentabilidade em um critério competitivo real, e não apenas em um discurso institucional.
Quais são os principais impactos ambientais da extração do mármore?
A abertura de pedreiras para extração de mármore envolve a remoção de vegetação, o revolvimento do solo e a geração de grandes volumes de resíduos rochosos que, quando descartados de forma inadequada, comprometem nascentes, cursos d’água e a fauna local. Além disso, o uso de explosivos e maquinário pesado durante a extração provoca vibrações e emissões que afetam o entorno das jazidas de maneira significativa.
Outro ponto relevante é o consumo elevado de água no processo de corte e beneficiamento das chapas, que, sem sistemas de recirculação adequados, pode impactar a disponibilidade hídrica das regiões produtoras. Diohn do Prado indica que compreender esses impactos com clareza é o primeiro passo para adotar medidas efetivas de mitigação ao longo de toda a cadeia produtiva.

A geração de lama abrasiva, subproduto do corte e polimento do mármore, é outro desafio ambiental relevante que o setor precisa enfrentar com soluções técnicas consistentes. Quando descartada de forma irregular, essa lama contamina o solo e pode atingir lençóis freáticos, causando danos de difícil reversão.
De que forma a extração responsável protege as jazidas a longo prazo?
O planejamento cuidadoso das frentes de extração permite que as jazidas de mármore sejam exploradas de forma gradual e controlada, preservando áreas de recarga hídrica e garantindo a estabilidade geológica do terreno ao redor. Conforme expõe Diohn do Prado, a extração responsável não significa reduzir a produção, mas organizar o processo de forma que os danos ao ambiente sejam minimizados sem comprometer a eficiência operacional. O recobrimento progressivo das áreas já exploradas com vegetação nativa é uma prática que tem ganhado espaço entre as empresas mais comprometidas com a longevidade das jazidas.
A adoção de certificações ambientais reconhecidas internacionalmente também tem contribuído para elevar o padrão de responsabilidade na extração do mármore brasileiro. Empresas certificadas passam por auditorias periódicas que verificam o cumprimento de critérios rigorosos de gestão ambiental, o que confere credibilidade ao produto no mercado nacional e internacional. Em função de sua relevância, esse tipo de iniciativa tende a se tornar cada vez mais um requisito básico de acesso a clientes exigentes e mercados mais desenvolvidos.
Como o consumidor final pode contribuir para um mercado mais sustentável?
A escolha consciente de fornecedores comprometidos com práticas ambientais responsáveis é uma das formas mais diretas pelas quais o consumidor final influencia a cadeia produtiva do mármore. Perguntar sobre a origem do material, exigir documentação que comprove a regularidade da extração e priorizar empresas com certificações ambientais são atitudes que geram pressão positiva sobre todo o setor.
Segundo Diohn do Prado, o consumidor bem informado tem um poder transformador que vai além da simples decisão de compra, pois sua escolha sinaliza ao mercado quais práticas são valorizadas e quais serão gradualmente eliminadas pela falta de demanda.
Igualmente importante é o cuidado com o descarte de resíduos gerados em reformas que envolvem mármore e outras pedras naturais. Fragmentos e aparas devem ser encaminhados a pontos de coleta especializados ou doados para projetos de reutilização, evitando que materiais nobres terminem em aterros de forma desnecessária. Diohn do Prado frisa que cada etapa do ciclo de vida do mármore, da extração ao descarte, representa uma oportunidade de agir com mais responsabilidade ambiental e contribuir para um setor mais sustentável e consciente.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

